sábado, 14 de agosto de 2010

O homem...

Outro dia eu estava dando minha aula e vi no fundo da sala um homem com os braços cruzados e um chapéu que tapava os olhos... Disfarcei fingindo que não o via... Ele vagou pela sala por alguns minutos e depois sumiu através da parede...
O dia estava chuvoso e fazia muito frio, na sala havia poucos alunos.
Quando ele sumiu me senti aliviada, mas um aluno pediu para ir ao banheiro e eu deixei. Quando ele voltou para a sala o homem do chapéu entrou junto com ele... ficou mais um pouco e novamente sumiu...
Muitas pessoas não acreditam nisso...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A MENINA DO QUARTO


imagem criada por Alef Ikeda (meu sobrinho)


Contam que há muito tempo atrás, numa cidadezinha muito distante no interior de Santa Catarina, vivia uma família que não gostava muito de fazer amizade com os vizinhos. Ali viviam uma mulher muito cruel com seu marido e sua enteada, uma garotinha chamada Luara, com mais ou menos oito anos de idade.
Todos os dias a madrasta espancava a garotinha e a deixava de castigo o dia inteiro trancada num quarto escuro. Quando ia dando a hora do pai da garotinha chegar do serviço, a madrasta tirava a menina do castigo e jurava que se o pai ficasse sabendo de alguma coisa, ela a mataria.
Luara tinha pavor daquela mulher horrorosa e nunca tivera coragem de contar para o seu pai tudo o que estava sofrendo.
Numa noite muito gelada e chuvosa, o pai da menina não pôde vir para casa porque tinha dado enchente no meio do caminho. A madrasta então, com toda sua crueldade, disse para a menina que naquela noite ela ficaria de castigo no canto do quarto sem janta e sem coberta a noite toda.
A noite estava muito fria... Muito gelada... E no outro dia a menina amanheceu morta, encolhida no canto do quarto. A madrasta disse para o marido que tinha deixado a menina dormindo no quarto e que provavelmente a menina, muito desobediente, tinha se levantado para brincar escondida durante a noite.
O pai chorou muito a morte de sua filha e nem desconfiava as maldades que a menina havia sofrido.

Uma semana depois, o casal estava deitado para dormir. A mulher sentiu vontade de ir ao banheiro e nem percebeu que no canto do seu quarto estava uma sombra agachada. Ao voltar para o quarto ela sentiu um ar muito gelado, então correu para de baixo das cobertas. Mas quando ia ajeitar o cobertor pôde vislumbrar aquela figura aterradora se aproximando da cama... Era a menina que caminhava devagar em direção a ela dizendo : "Estou com tanto frio... "
A madrasta não conseguia nem se mexer de tanto pavor. A menina, com a pele arroxeada e com os olhos arregalados foi se enfiando em baixo da coberta: "Tô com tanto frio..." Ela foi se deslizando por de baixo da coberta até chegar juntinho da madrasta. A mulher arregalou o olho quando a menina se abraçou a ela: "Me esquenta, mamãe!" E foi empurrando a mulher que se deitou sem conseguir se mexer. A menina encostou seu rosto bem perto do rosto da madrasta e sorriu.
No outro dia, quando o homem acordou, sua mulher estava morta na cama. O que ninguém conseguiu explicar foi o motivo dela estar totalmente congelada!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Apelo

(Esse texto vai contar a história de uma alma de criança que está no céu...pronta pra nascer)

Eu era feliz dentro da barriga da minha mamãe.

Imaginava às vezes como seria o mundo aqui fora. De alguma maneira eu sabia que ia nascer. Instinto talvez... Não sei!

Eu estava tão protegido no ventre da mamãe! Se bem que às vezes eu me sentia agoniado, uma espécie de premonição. Inconscientemente já sabia do meu destino.. Porém, sabia também que enquanto estivesse ali, mergulhado no líquido da vida, nada de ruim me aconteceria.

Chegou o grande dia! Nasci. Chorei de tristeza, pois separaram-me da minha mãe, olhei em volta à sua procura. Levaram-me para outro lugar tão rapidamente que mal pude distinguir o seu semblante que estava entre lágrimas. Será que eram lágrimas de felicidade ao me ver? Fiquei contente. Claro que eram de felicidade. Suspirei... “Minha mamãe!”

Imaginava os dias felizes que juntos passaríamos. Será que havia muitos brinquedos, roupinhas, sapatinhos e muitas outras coisas me esperando em casa?

Mal via a hora de irmos para casa nos encontrar com papai. Como seria meu pai? Por que não estava ali conosco? Ah! Devia estar trabalhando duro para comprar o meu leitinho, as minhas fraldas, trabalhando duro para que nada me faltasse. Que bom!

Limparam-me e me levaram de volta para junto de minha mamãe. Eu ia feliz e orgulhoso de mim nos braços da enfermeira, já sabia que era hora de mamar.

Mas...

Que choque! Que decepção tão grande! Eu não estava entendendo. Então a mamãe gritava que não me queria? Que me tirassem dali? Que foi que eu fiz? Por que isso? Fiquei aturdido e meu pequeno coração se descompassou!

Hoje... Bem... Hoje, de onde estou, sei muito bem como tudo aconteceu. Sei todos os porquês.

Minha mãe engravidou aos treze anos de idade. Meu pai era um rapaz de dezesseis anos de idade, usava drogas e não tinha nenhum senso de responsabilidade. Conheceram-se no portão da escola onde mamãe estudava. Vovô e vovó davam muitos conselhos a ela, mas não adiantava. Ela achava que todos queriam meter-se em sua vida e que não a queriam ver feliz. Aos treze anos ficou grávida e foi morar com papai num barraco perdido em algum lugar do mundo. Dizia sempre que não queria ninguém a perturbando.

Aos sete meses de gravidez mamãe descobriu que havia contraído AIDS de meu pai. Meu pai, por sua vez, havia contraído a AIDS pela seringa que compartilhava com seus companheiros de droga. E eu... Fui contaminado pela mamãe.

A partir dessa descoberta fui rejeitado. Quando nasci fui abandonado no hospital. Levaram-me para um lugar onde viviam crianças iguais a mim. Vivíamos abandonados. Eu era tão pequenininho! Tão frágil! Precisava tanto da mamãe! Ali vivi por alguns poucos anos.

Hoje, de onde estou, faço um apelo a todos vocês : Não vamos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós. É muito triste viver sem pai, sem mãe e ainda ter uma doença que não tem cura. Papai e mamãe tinham família que lutaram por eles, que os ajudaram em seus momentos difíceis. Se falharam não foi por falta de esclarecimento e educação, mas sim por rebeldia. Mas... E eu? Que culpa tinha em toda essa história? Não deixem que isso se repita, eu peço! Peço por favor que tenham piedade de mim, pois estou pronto para nascer de novo, pode ser que seja você meu pai ou minha mãe. Cuidem-se, pois tenho o direito de ser feliz.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A sombra e a mão

Uma vez uma tia minha estava jantando e seu filho gritou lá do quarto: "Mãe, corre aqui que eu vi uma sombra passando pela porta do quarto!"
Minha tia deu risada e falou: "Ah, não é nada não. Manda ela vir aqui jantar comigo!"
No mesmo momento que minha tia disse isso, ela sentiu uma mão pegar em seu joelho por de baixo da mesa, uma mão muito gelada. Ela até pensou que eram seus filhos brincando com ela. Na hora ela tentou agarrar aquela mão, mas a mão deu um puxão tão forte que minha tia caiu da cadeira e nesse momento ela pôde perceber que não tinha ninguém em baixo da mesa. Seus dois filhos correram pra cozinha quando ouviram o barulho da minha tia caindo. Nessa noite todos tiveram que ajoelhar e orar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aos seguidores desse blog


Hugo, Isabella, Flávio, Natália Nayara, Nattállia Granai, Daih, Amanda, Rodrigo, Karolyn e outros que por venturam vierem a fazer parte dessa família sobrenatural...
Peço a todos os protetores, anjos e arcanjos que protejam vocês em todos os dias de suas vidas e que vocês nunca passem por maus momentos com espíritos zombeteiros.
Amém!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A voz no celular

Há alguns anos atrás, quando eu comprei meu primeiro celular, aconteceu uma coisa muito estranha... E o pior é que foi exatamente à meia noite, no mesmo dia em que eu o havia comprado. Eu não tinha dado o número dele pra ninguém ainda... Eu havia deixado o celular embaixo do meu travesseiro e como eu já disse, exatamente à meia noite ele tocou, eu estranhei porque não era possível ninguém estar me ligando. Quando eu disse: "alô", uma voz horrivel e macabra disse: "Cuidado com o cão negro, CUIDADO!" Aquela voz parecia sair de uma caverna. Eu me assustei e desliguei o celular... Até hoje não sei quem me ligou exatamnete à meia noite com aquela voz tão horrível!

UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO

(*Essa história conta o que aconteceu na mente e nas lembranças de um rapaz nos exatos segundos em que ele caiu do trem em movimento... Os segundos entre a VIDA e a MORTE.)

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A voz de sua mãe ainda ecoava em sua mente: “Leve agasalho, meu filho, falou no Jornal Nacional que vai esfria à tarde.”

_Tô levando, mãe. Tchau.

Engraçado, ele não se lembrava se havia beijado sua mãe quando saiu. Sentia-se estranho. Lembrou-se e riu sozinho; acho que estava com nove ou dez meses de vida quando levou um tombo da cama, ele era tão pequeno que a altura da cama até o chão pareceu-lhe um precipício, rodou... rodou... até ouvir o baque seco de seu corpo no chão. Tudo escureceu e quando acordou se viu já com seus seis ou sete anos, brincava de bicicleta com seus amigos. Qual era mesmo o nome de cada um? Tuca, Chorão, Riva e Celo. Riu de novo sozinho. Chorão tinha esse apelido porquê chorava à toa. Qualquer coisa ele abria o berreiro, ninguém gostava de brincar com ele, mas até que ele era legal, quando tinha doces sabia dividir.

Brincava muito de bicicleta nas ruas esburacadas e sem asfalto da cidade de Francisco Morato, sua terra natal. Que ano era mesmo aquele em que ele e sua turminha ficava o dia inteiro zoando pelas ruas? Era 1.985 ou 1.986? Não conseguia se lembrar, mas lembrou que adorava brincar na linha do trem, gostava de nadar nas lagoas que existiam, quer dizer, que ainda existem entre as estações de Francisco Morato e Franco da Rocha.

De repente ele percebeu que estava dentro do trem, a caminho de seu serviço. Era ajudante geral de uma gráfica localizada na Avenida São João. Ele desembarcava na Estação da Luz e seguia a pé até o seu destino. Será que ele estava dormindo? Olhou em volta e viu um rosto conhecido. Era a Jéssica, linda como sempre. Sorria para ele. Ele sorriu de volta, ia levantar-se para conversar com ela quando ouviu gritos, olhou em direção ao tumulto e ficou estarrecido, uma criança sentada no colo do pai havia acabado de levar uma pedrada perto do olho esquerdo, abriu um corte muito profundo e o sangue escorria caindo pelo braço do pai desesperado.

_A pedra veio de fora!_ Gritavam.

_Estanca o sangue com a mão!

_Abram espaço pra criança respirar.

A menina gritava de dor e o pai angustiado não sabia o que fazer.

Novamente devaneios. O rapaz lembrou-se que quando era criança e brincava na linha do trem também gostava de atirar pedras contra os vagões que passavam velozmente. Será que algum dia também provocara uma desgraça dessas? Encolheu-se no banco e ficou quietinho. Parecia que todos aqueles olhares o estavam censurando

_Tá vendo o que você fez?

_Ela vai ficar cega por sua culpa! Sua culpa!

“_Leve o agasalho, meu filho. Vai esfriar. Falou no jornal. Você não vai me dar um beijo?”

É mesmo, ele lembrou-se agora que não havia beijado sua mãe quando saiu de manhã.

Ficou enjoado e vomitou. Sua cabeça doía.

Olhou novamente em direção à Jéssica. Ela continuava sorrindo para ele. Ele ficou envergonhado, acabara de vomitar. As pessoas se afastaram um pouco. Olhou de soslaio para cada rosto que ocupava aquele vagão. Engraçado, o trem estava tão cheio e ainda assim, dali de onde ele estava, conseguia ver todos os rostos de uma ponta à outra do vagão. Uma mulher estava triste, percebeu. Acho que tinha brigado com o marido antes de sair de casa. Não. Não era nada disso, ela estava indo visitar o filho internado com AIDS na Santa Casa de Misericórdia no bairro de Santa Cecília. “Ué, como ele sabia disso?”

Um grupo de homens jogava baralho, absortos com a distração não pensavam em seus problemas particulares.

Um casal de jovens se beijavam freneticamente.

O rapaz sorriu. Quanta vida! Quantas histórias escritas naquele espaço.

Sentiu um ventinho gelado, era o ventilador do trem que lhe soprava. Arrepiou-se. Procurou a blusa dentro da mochila e ouviu ecoar novamente a voz da mãe: “Leve o agasalho, meu filho. Vai fazer frio.”

Pensou na sopa quente de lentilhas que só sua mãe sabia fazer. Nas brigas que provocava com sua irmã quando achava que ela comia mais que ele. Na saudade que sentia de seu pai...

Por quê será que ele estava se lembrando de tantas coisas? Que estranho! Mas lembrou-se que quando o trem saiu às cinco horas da Estação de Francisco Morato ele havia ficado pendurado na porta, estava muito lotado, mas se ele não arriscasse chegaria atrasado no serviço.

Ainda bem que agora estava sentado e fora de perigo.

_Puxem a trave de segurança do trem! Um rapaz acabou de despencar da porta!

_Ai, coitado! Ficou todo esmagado!

_Cruzes! Ave Maria três vezes!

_Também, sabe que é perigoso ficar pendurado na porta e não tá nem aí.

O rapaz lembrou-se de novo que não havia beijado sua mãe quando saiu de manhã.