sábado, 14 de agosto de 2010

O homem...

Outro dia eu estava dando minha aula e vi no fundo da sala um homem com os braços cruzados e um chapéu que tapava os olhos... Disfarcei fingindo que não o via... Ele vagou pela sala por alguns minutos e depois sumiu através da parede...
O dia estava chuvoso e fazia muito frio, na sala havia poucos alunos.
Quando ele sumiu me senti aliviada, mas um aluno pediu para ir ao banheiro e eu deixei. Quando ele voltou para a sala o homem do chapéu entrou junto com ele... ficou mais um pouco e novamente sumiu...
Muitas pessoas não acreditam nisso...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A MENINA DO QUARTO


imagem criada por Alef Ikeda (meu sobrinho)


Contam que há muito tempo atrás, numa cidadezinha muito distante no interior de Santa Catarina, vivia uma família que não gostava muito de fazer amizade com os vizinhos. Ali viviam uma mulher muito cruel com seu marido e sua enteada, uma garotinha chamada Luara, com mais ou menos oito anos de idade.
Todos os dias a madrasta espancava a garotinha e a deixava de castigo o dia inteiro trancada num quarto escuro. Quando ia dando a hora do pai da garotinha chegar do serviço, a madrasta tirava a menina do castigo e jurava que se o pai ficasse sabendo de alguma coisa, ela a mataria.
Luara tinha pavor daquela mulher horrorosa e nunca tivera coragem de contar para o seu pai tudo o que estava sofrendo.
Numa noite muito gelada e chuvosa, o pai da menina não pôde vir para casa porque tinha dado enchente no meio do caminho. A madrasta então, com toda sua crueldade, disse para a menina que naquela noite ela ficaria de castigo no canto do quarto sem janta e sem coberta a noite toda.
A noite estava muito fria... Muito gelada... E no outro dia a menina amanheceu morta, encolhida no canto do quarto. A madrasta disse para o marido que tinha deixado a menina dormindo no quarto e que provavelmente a menina, muito desobediente, tinha se levantado para brincar escondida durante a noite.
O pai chorou muito a morte de sua filha e nem desconfiava as maldades que a menina havia sofrido.

Uma semana depois, o casal estava deitado para dormir. A mulher sentiu vontade de ir ao banheiro e nem percebeu que no canto do seu quarto estava uma sombra agachada. Ao voltar para o quarto ela sentiu um ar muito gelado, então correu para de baixo das cobertas. Mas quando ia ajeitar o cobertor pôde vislumbrar aquela figura aterradora se aproximando da cama... Era a menina que caminhava devagar em direção a ela dizendo : "Estou com tanto frio... "
A madrasta não conseguia nem se mexer de tanto pavor. A menina, com a pele arroxeada e com os olhos arregalados foi se enfiando em baixo da coberta: "Tô com tanto frio..." Ela foi se deslizando por de baixo da coberta até chegar juntinho da madrasta. A mulher arregalou o olho quando a menina se abraçou a ela: "Me esquenta, mamãe!" E foi empurrando a mulher que se deitou sem conseguir se mexer. A menina encostou seu rosto bem perto do rosto da madrasta e sorriu.
No outro dia, quando o homem acordou, sua mulher estava morta na cama. O que ninguém conseguiu explicar foi o motivo dela estar totalmente congelada!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Apelo

(Esse texto vai contar a história de uma alma de criança que está no céu...pronta pra nascer)

Eu era feliz dentro da barriga da minha mamãe.

Imaginava às vezes como seria o mundo aqui fora. De alguma maneira eu sabia que ia nascer. Instinto talvez... Não sei!

Eu estava tão protegido no ventre da mamãe! Se bem que às vezes eu me sentia agoniado, uma espécie de premonição. Inconscientemente já sabia do meu destino.. Porém, sabia também que enquanto estivesse ali, mergulhado no líquido da vida, nada de ruim me aconteceria.

Chegou o grande dia! Nasci. Chorei de tristeza, pois separaram-me da minha mãe, olhei em volta à sua procura. Levaram-me para outro lugar tão rapidamente que mal pude distinguir o seu semblante que estava entre lágrimas. Será que eram lágrimas de felicidade ao me ver? Fiquei contente. Claro que eram de felicidade. Suspirei... “Minha mamãe!”

Imaginava os dias felizes que juntos passaríamos. Será que havia muitos brinquedos, roupinhas, sapatinhos e muitas outras coisas me esperando em casa?

Mal via a hora de irmos para casa nos encontrar com papai. Como seria meu pai? Por que não estava ali conosco? Ah! Devia estar trabalhando duro para comprar o meu leitinho, as minhas fraldas, trabalhando duro para que nada me faltasse. Que bom!

Limparam-me e me levaram de volta para junto de minha mamãe. Eu ia feliz e orgulhoso de mim nos braços da enfermeira, já sabia que era hora de mamar.

Mas...

Que choque! Que decepção tão grande! Eu não estava entendendo. Então a mamãe gritava que não me queria? Que me tirassem dali? Que foi que eu fiz? Por que isso? Fiquei aturdido e meu pequeno coração se descompassou!

Hoje... Bem... Hoje, de onde estou, sei muito bem como tudo aconteceu. Sei todos os porquês.

Minha mãe engravidou aos treze anos de idade. Meu pai era um rapaz de dezesseis anos de idade, usava drogas e não tinha nenhum senso de responsabilidade. Conheceram-se no portão da escola onde mamãe estudava. Vovô e vovó davam muitos conselhos a ela, mas não adiantava. Ela achava que todos queriam meter-se em sua vida e que não a queriam ver feliz. Aos treze anos ficou grávida e foi morar com papai num barraco perdido em algum lugar do mundo. Dizia sempre que não queria ninguém a perturbando.

Aos sete meses de gravidez mamãe descobriu que havia contraído AIDS de meu pai. Meu pai, por sua vez, havia contraído a AIDS pela seringa que compartilhava com seus companheiros de droga. E eu... Fui contaminado pela mamãe.

A partir dessa descoberta fui rejeitado. Quando nasci fui abandonado no hospital. Levaram-me para um lugar onde viviam crianças iguais a mim. Vivíamos abandonados. Eu era tão pequenininho! Tão frágil! Precisava tanto da mamãe! Ali vivi por alguns poucos anos.

Hoje, de onde estou, faço um apelo a todos vocês : Não vamos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós. É muito triste viver sem pai, sem mãe e ainda ter uma doença que não tem cura. Papai e mamãe tinham família que lutaram por eles, que os ajudaram em seus momentos difíceis. Se falharam não foi por falta de esclarecimento e educação, mas sim por rebeldia. Mas... E eu? Que culpa tinha em toda essa história? Não deixem que isso se repita, eu peço! Peço por favor que tenham piedade de mim, pois estou pronto para nascer de novo, pode ser que seja você meu pai ou minha mãe. Cuidem-se, pois tenho o direito de ser feliz.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A sombra e a mão

Uma vez uma tia minha estava jantando e seu filho gritou lá do quarto: "Mãe, corre aqui que eu vi uma sombra passando pela porta do quarto!"
Minha tia deu risada e falou: "Ah, não é nada não. Manda ela vir aqui jantar comigo!"
No mesmo momento que minha tia disse isso, ela sentiu uma mão pegar em seu joelho por de baixo da mesa, uma mão muito gelada. Ela até pensou que eram seus filhos brincando com ela. Na hora ela tentou agarrar aquela mão, mas a mão deu um puxão tão forte que minha tia caiu da cadeira e nesse momento ela pôde perceber que não tinha ninguém em baixo da mesa. Seus dois filhos correram pra cozinha quando ouviram o barulho da minha tia caindo. Nessa noite todos tiveram que ajoelhar e orar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aos seguidores desse blog


Hugo, Isabella, Flávio, Natália Nayara, Nattállia Granai, Daih, Amanda, Rodrigo, Karolyn e outros que por venturam vierem a fazer parte dessa família sobrenatural...
Peço a todos os protetores, anjos e arcanjos que protejam vocês em todos os dias de suas vidas e que vocês nunca passem por maus momentos com espíritos zombeteiros.
Amém!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A voz no celular

Há alguns anos atrás, quando eu comprei meu primeiro celular, aconteceu uma coisa muito estranha... E o pior é que foi exatamente à meia noite, no mesmo dia em que eu o havia comprado. Eu não tinha dado o número dele pra ninguém ainda... Eu havia deixado o celular embaixo do meu travesseiro e como eu já disse, exatamente à meia noite ele tocou, eu estranhei porque não era possível ninguém estar me ligando. Quando eu disse: "alô", uma voz horrivel e macabra disse: "Cuidado com o cão negro, CUIDADO!" Aquela voz parecia sair de uma caverna. Eu me assustei e desliguei o celular... Até hoje não sei quem me ligou exatamnete à meia noite com aquela voz tão horrível!

UMA FRAÇÃO DE SEGUNDO

(*Essa história conta o que aconteceu na mente e nas lembranças de um rapaz nos exatos segundos em que ele caiu do trem em movimento... Os segundos entre a VIDA e a MORTE.)

                                                          ***********

A voz de sua mãe ainda ecoava em sua mente: “Leve agasalho, meu filho, falou no Jornal Nacional que vai esfria à tarde.”

_Tô levando, mãe. Tchau.

Engraçado, ele não se lembrava se havia beijado sua mãe quando saiu. Sentia-se estranho. Lembrou-se e riu sozinho; acho que estava com nove ou dez meses de vida quando levou um tombo da cama, ele era tão pequeno que a altura da cama até o chão pareceu-lhe um precipício, rodou... rodou... até ouvir o baque seco de seu corpo no chão. Tudo escureceu e quando acordou se viu já com seus seis ou sete anos, brincava de bicicleta com seus amigos. Qual era mesmo o nome de cada um? Tuca, Chorão, Riva e Celo. Riu de novo sozinho. Chorão tinha esse apelido porquê chorava à toa. Qualquer coisa ele abria o berreiro, ninguém gostava de brincar com ele, mas até que ele era legal, quando tinha doces sabia dividir.

Brincava muito de bicicleta nas ruas esburacadas e sem asfalto da cidade de Francisco Morato, sua terra natal. Que ano era mesmo aquele em que ele e sua turminha ficava o dia inteiro zoando pelas ruas? Era 1.985 ou 1.986? Não conseguia se lembrar, mas lembrou que adorava brincar na linha do trem, gostava de nadar nas lagoas que existiam, quer dizer, que ainda existem entre as estações de Francisco Morato e Franco da Rocha.

De repente ele percebeu que estava dentro do trem, a caminho de seu serviço. Era ajudante geral de uma gráfica localizada na Avenida São João. Ele desembarcava na Estação da Luz e seguia a pé até o seu destino. Será que ele estava dormindo? Olhou em volta e viu um rosto conhecido. Era a Jéssica, linda como sempre. Sorria para ele. Ele sorriu de volta, ia levantar-se para conversar com ela quando ouviu gritos, olhou em direção ao tumulto e ficou estarrecido, uma criança sentada no colo do pai havia acabado de levar uma pedrada perto do olho esquerdo, abriu um corte muito profundo e o sangue escorria caindo pelo braço do pai desesperado.

_A pedra veio de fora!_ Gritavam.

_Estanca o sangue com a mão!

_Abram espaço pra criança respirar.

A menina gritava de dor e o pai angustiado não sabia o que fazer.

Novamente devaneios. O rapaz lembrou-se que quando era criança e brincava na linha do trem também gostava de atirar pedras contra os vagões que passavam velozmente. Será que algum dia também provocara uma desgraça dessas? Encolheu-se no banco e ficou quietinho. Parecia que todos aqueles olhares o estavam censurando

_Tá vendo o que você fez?

_Ela vai ficar cega por sua culpa! Sua culpa!

“_Leve o agasalho, meu filho. Vai esfriar. Falou no jornal. Você não vai me dar um beijo?”

É mesmo, ele lembrou-se agora que não havia beijado sua mãe quando saiu de manhã.

Ficou enjoado e vomitou. Sua cabeça doía.

Olhou novamente em direção à Jéssica. Ela continuava sorrindo para ele. Ele ficou envergonhado, acabara de vomitar. As pessoas se afastaram um pouco. Olhou de soslaio para cada rosto que ocupava aquele vagão. Engraçado, o trem estava tão cheio e ainda assim, dali de onde ele estava, conseguia ver todos os rostos de uma ponta à outra do vagão. Uma mulher estava triste, percebeu. Acho que tinha brigado com o marido antes de sair de casa. Não. Não era nada disso, ela estava indo visitar o filho internado com AIDS na Santa Casa de Misericórdia no bairro de Santa Cecília. “Ué, como ele sabia disso?”

Um grupo de homens jogava baralho, absortos com a distração não pensavam em seus problemas particulares.

Um casal de jovens se beijavam freneticamente.

O rapaz sorriu. Quanta vida! Quantas histórias escritas naquele espaço.

Sentiu um ventinho gelado, era o ventilador do trem que lhe soprava. Arrepiou-se. Procurou a blusa dentro da mochila e ouviu ecoar novamente a voz da mãe: “Leve o agasalho, meu filho. Vai fazer frio.”

Pensou na sopa quente de lentilhas que só sua mãe sabia fazer. Nas brigas que provocava com sua irmã quando achava que ela comia mais que ele. Na saudade que sentia de seu pai...

Por quê será que ele estava se lembrando de tantas coisas? Que estranho! Mas lembrou-se que quando o trem saiu às cinco horas da Estação de Francisco Morato ele havia ficado pendurado na porta, estava muito lotado, mas se ele não arriscasse chegaria atrasado no serviço.

Ainda bem que agora estava sentado e fora de perigo.

_Puxem a trave de segurança do trem! Um rapaz acabou de despencar da porta!

_Ai, coitado! Ficou todo esmagado!

_Cruzes! Ave Maria três vezes!

_Também, sabe que é perigoso ficar pendurado na porta e não tá nem aí.

O rapaz lembrou-se de novo que não havia beijado sua mãe quando saiu de manhã.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ich Hanna Guímel

Hallo liebes! Meu nome é Hanna... Hanna Guímel para ser mais exata... Eu e a prof. Sonia (Danna) somos a mesma pessoa... ou quase... Tenho mais de 10000 anos de abenteuergeschicht, ou melhor, histórias de aventuras para contar... ora profanas...ora sobrenatural... Como queiram... Creio que contarei alguns capítulos de abenteuergeschicht para vocês, já que gostam tanto do além... do além memória... Não estranhem a língua um pouco enrolada... Sou de origem nórdica... Procuro algo e creio que estou próxima. Numa outra oportunidade conto essa pequena abenteuergeschicht pra vocês.

abschied,
ou até mais... se preferirem!

Visões noturnas

Certa vez meu avô acordou à noite e no meio da escuridão ouviu uns cochichos... Eram várias vozes que falavam ao mesmo tempo. Na hora ele percebeu que eram demônios inferiores tramando intrigas pra que ele (meu avô) e minha avó brigassem, pois os dois nunca brigavam nem nunca brigaram nesta vida. Uns diziam: "vamos colocar aqui!" outros diziam: "Não, vamos colocar ali!"
Meu avó irritado disse: "Sei quem são vocês seus demônios, desapareçam daqui, pois aqui não é o lugar de vocês!"
Ele sentiu aquele silêncio e em seguida ouviu um vidro se quebrando... A seguir percebeu os "coisinhas" pulando pelo buraco da janela... Alguns batiam o rabo na parde antes de conseguir sair.
Meu avô se levantou e fez uma oração pedindo proteção a Deus.
No outro dia meu vô pediu pra minha vó pegar os óculos dele e minha vó não conseguia achar... Ela já estava nervosa quando meu vô falou: "Calma Olívia, essa noite eu ouvi os Demônios tramando pra gente brigar, mas isso não vai acontecer... Eles esconderam os óculos pensando que eu ia brigar com você, mas se deram mal, porque isso não vai acontecer. Outra hora a gente encontra esses óculos"!
Três dias depois, meu vô foi colocar um paletó pra ir pra igreja e sentiu que os óculos estavam por dentro do forro do paletó. Minha vó teve que descosturar um pedaço do paletó pra poder tirar os óculos de lá.
Acreditem nessa história... Ela aconteceu verdadeiramente com meus avós que perteciam à igreja Congregação Cristã no Brasil!

A foto da mão

Essa moça linda que aparece bem no centro da foto, a que está de jaqueta marrom, é minha filha. Essa foto foi tirada num acampamento em Ribeirão Pires. Acontece que essa mão que está no ombro dela não é de nenhum de seus colegas. Observamos as outras fotos e ninguém está com uma blusa parecida com esta dessa "mão macabra". Essa foto já foi analisada pelos colegas da minha filha e todos chegaram à mesma conclusão: "Essa mão horrível é do além!" É de arrepiar, não é mesmo? 

Em baixo da cama

Certa vez, lá para os lados de onde minha madrinha morava, um menininho de aproximadamente 8 anos de idade disse pra sua mãe que não queria mais dormir em seu quarto, pois estava com medo do "homem" que morava em baixo da cama.

A mãe ficou brava com o filho e disse:

-Filho, pára de inventar coisas, não existe nenhum homem que mora em baixo da sua cama! Não adianta vir com desculpas só pra dormir junto comigo e com o seu pai.

Todas as noites lá ia o menininho chorando apavorado para o quarto de sua mãe:
-Mãe... o homem tá lá e não quer sair...

Uma noite sua mãe irritada com a criança disse:
-Vai lá e fala pra ele vir morar em baixo da minha cama, assim ele vai te deixar em paz.

Depois dessa noite o menininho não reclamou mais e a mãe até achou que tinha tido uma boa idéia.

Depois de algum tempo, numa noite muito fria e chuvosa, a mãe do garoto foi pentear os cabelos e, pelo espelho que refletia uma parte dos pés da cama, ela viu de relance um homem que estava em baixo de sua cama, ele estava olhando para ela com um sorriso macabro, seu rosto tinha cor arroxeada e seus dentes eram podres.

A mulher desmaiou e só acordou no hospital.

Quando ela acordou pôde ver o mesmo homem olhando para ela  de debaixo da cama que estava à sua frente e com uma voz cavernosa, sussurrada e rouca disse:

-Obrigado por me deixar morar com você! Nunca mais vou te abandonar!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Inexplicável

Alguma coisa está acontecendo aqui... Não estou conseguindo postar os meus textos nem minhas imagens...Espero conseguir postar pelo menos esse comentário... SOBRENATURAL? QUEM SABE...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O corredor escuro

Essa história aconteceu com o meu primo. Ele costumava sair e ficar vários dias fora de casa. Uma vez ele ficou quase uma semana fora e quando voltou pra casa era tarde da noite. A minha tia morava numa casinha que ficava nos fundos de uma outra casa e para chegar até lá tinha que passar por um corredor escuro e apertado. Era quase meia noite quando meu primo chegou e ao passar por aquele corredor apertado viu que o Seu Severino, um vizinho velho e muito antigo no bairro estava saindo da casa da minha tia e se encontraram naquele corredor apertado. Meu primo disse:
"Boa noite Seu Severino, o que faz até essa hora na casa dos outros?" 
Seu Severino sorriu e apertou-lhe a mão:
"Estou visitando meus amigos, oras!"
Despediram-se e meu primo entrando pela porta da sala viu minha tia assistindo televisão. Chegou dando-lhe um abraço e perguntando em tom de brincadeira:
"A senhora não tem vergonha de ficar batendo papo com o Seu Severino até essa hora da noite?"
Ele percebeu que na hora minha tia ficou pálida.
"O que foi, mãe? Que cara é essa?"
Então surpreendentemente minha tia disse:
"Filho, faz três dias que o Seu Severino morreu!"
Meu primo ainda pensou que minha tia estava querendo assustá-lo e só acreditou que era verdade no outro dia quando realmente pôde confirmar a verdade.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O ESPÍRITO DA ESTRADA

Meu vô contava que há muito tempo atrás, no lugar onde ele morava, começaram a ver um homem que já tinha morrido, assombrando uma estradinha de terra próximo à uma fazenda. Ninguém mais queria passar por aquele lugar, pois todos estavam com medo. Meu avô, homem sábio, decidiu ir lá para ver o que aquele homem queria. Esperou até o anoitecer, horário em que a assombração aparecia... Aquele homem apareceu e meu avô perguntou por que ele estava aparecendo pra todo mundo, perguntou se ele estava precisando de alguma coisa... O homem então disse que tinha morrido e não havia pago uma dívida e que se meu avô pagasse por ele, nunca mais então ele apareceria, pois ele estava precisando descançar em paz. Meu avô prometeu que pagaria e realmente pagou. Depois disso nunca mais ninguém viu aquele homem assombrando a estrada. ENTÃO, SE ALGUM ESPÍRITO APARECER PRA VOCÊ, PERGUNTE  SE ELE PRECISA DE AJUDA!

Antes de assustar alguém... Dê uma olhadinha pra trás!

Nunca se levante à meia noite

Dizem os mais antigos que nunca devemos nos levantar se acordarmos exatamente à meia noite ou às três hora da manhã... São os espíritos que vêm perturbar nosso sono! É melhor esperar alguns minutos se você quiser ir ao banheiro. Conta minha vó que certa vez uma de minhas tias, ainda menina, acordou exatamente à meia noite e não respeitou o horário dos ESPÍRITOS... Levantou-se e foi ao banheiro. Acontece que nessa época os banheiros ficavam do lado de fora de casa... Mesmo com medo minha tia precisava fazer xixi... Ao abaixar as calças ela sentiu uma mão gelada abraçar sua cintura. Diz minha vó que ela deu um grito tão estridente que acordou todos da casa. Meu avô correu para socorrê-la e ele ainda pôde ver um vulto negro sumindo no meio da escuridão. Desde esse dia nunca mais ninguém levantou-se NA HORA RESERVADA PARA OS ESPÍRITOS!
 Ficou com medo dessa história? É bom mesmo, pois é a mais pura verdade...

Venha comigo!

EXISTE ANJO?

No trem.

-Pai! – chamava o garotinho de aparentemente seis anos.

-Quêê!- responde o pai sem tirar os olhos do jornal.

-Existe anjo?

-Acho que sim!

-Como eles são?

-Sei lá!

-Ah, pai! Você não quer falar porque tá ocupado! – Choramingou o pequeno.

-Fica quieto filho! O papai tá lendo uma coisa muito importante.

-Que é pai?

-Uma coisa, filho. Fica quieto!

O garoto deu uma resmungadinha, mexeu-se um pouco no banco e encostou a pequena cabecinha loura no braço do pai. Notou à sua frente uma linda garotinha negra que o encarava. Parecia ter a mesma idade dele. Usava dois rabinhos nos cabelos. Pareciam duas bolinhas de algodão, só que pretos.

A menininha sorriu para ele. Ele escondeu o rosto e depois a olhou de rabicho de olhos.

-Quieto filho, pra que se mexer tanto?

-Pai!?

-Hã?

-É verdade que existe anjo?

-É... existe! – Respondeu logo o pai para cortar o assunto. Olhou no relógio. O trem estava atrasado de novo. Todos os dias eram assim. Iria fazer uma reclamação por escrito.

-Como eles são, pai?

-Eles quem, João Pedro?

-Os anjos, pai! Como eles são?

-Eles são que nem você.

-Como assim, pai?

-São loirinhos, cabelos cacheados, olhos azuis, bochechas rosadas e tem asas.

-Mas pai, eu não tenho asas!

Pela primeira vez desde que haviam entrado no trem o pai sorriu, baixou o jornal e olhou para o filho.

-É verdade, filho! Você não tem asas! Mas você é louro, tem esses cachinhos nos cabelos, olhos azuis e olha só essas bochechas! São bem vermelhinhas. Parecem duas maçãs!

-É, mas eu não tenho asas!

O pai deu um beijo no garoto, sorriu e voltou a ler o seu jornal.

-Pai!?

-Quêê?

-Existe anjo preto?

-Não.

-Ah!

O garoto voltou a olhar a menininha negra que estava à sua frente. Sorriu para ela. Ela retribuiu o sorriso.

-Pai!?

-Que é João Pedro!

-Posso dar um chiclete “praquela” menininha lá?

-Qual? – Perguntou o pai sem muito interesse.

-Aquela lá que tá sentada no banco na nossa frente.

-Não.

-Por que não, pai?

-Se você levantar, você cai!

O homem deu uma olhada por cima do jornal e não viu menina alguma. Voltou à missão impossível da leitura.

João Pedro olhou novamente para a garotinha e percebeu que uma lágrima rolava pelo seu rostinho.

-Pai!?

-Hã!

-A menina tá chorando, eu acho que ela quer um chiclete.

O homem olhou novamente e não viu a menina.

-Pára de encher o saco, João Pedro! Deixa o papai terminar de ler o jornal!

João Pedro ajeitou-se no assento. O trem seguia seu percurso lentamente. Sacolejava muito. A menina estava lá. Suas lágrimas escorriam pelas faces e caíam em seu vestido azul manchando-o. Ela olhava tristemente para o garotinho agora. Estendeu-lhe a mão.

O garoto olhou de soslaio para o pai. Ele continuava a ler o seu jornal. Decidiu dar um chiclete à garota. Seu pai nem iria perceber. Levantou-se devagar com um chiclete na mão estendendo-o à menina. Ela esticava as mãozinhas. Quando João Pedro ia depositar a guloseima nas mãos da garota ela o segurou e uma coisa branca enorme os envolveu. Parecia uma grande cabana iluminada.

-O que é isso? – Perguntou João Pedro à menina.

-É nossa proteção! – Disse a menina.

-Que legal!!

-Vamos! – A menina segurando-o pela mão o puxou delicadamente.

-Aonde vamos?

-Você gosta de anjos?

-Gosto!

-Você vai conhecê-los!

De repente João Pedro estava no lugar mais lindo do mundo! Anjos... Anjos por toda parte. Ele notou que sua amiguinha tinha um lindo par de asas.

-Você é uma anja! – Disse ele admirado.

-Sou! E você também é. Veja que asas lindas você tem.

Só então o garoto reparou que também tinha asas. Ficou admirado.

-Noooossa! Eu também sou um anjo!?

-Olha lá! Quanta coisa linda! Vamos brincar? – Chamou a garotinha.

João Pedro olhou e não saberia explicar tamanha beleza. Tudo era muito lindo. Parecia uma cascata de mini-estrelas brilhantes que caía sobre fofas nuvens. Pequenos pôneis rodeados de arco-íris saltitavam por todos os lados. O menino correu feliz esquecendo-se de tudo. Queria muito brincar ali.

* * * * * * *

O pai chorava inconsolável. Não conseguia entender tamanha tragédia. Lembrava-se apenas de seu pequeno filho se levantando e estendendo a mãozinha para um lugar vazio onde não havia ninguém. Quando ia chamá-lo de volta um grande impacto atirou a todos para a frente . Ainda pôde ver o pequeno corpo chocando-se na porta do engate.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A PROFESSORA MÔNICA

Certa vez, num lugar afastado do centro da cidade, aconteceu um fato que os moradores se recordam até hoje.

A professora Mônica chegou atrasada para dar aula aos seus alunos que já a esperavam dentro da sala. Era uma manhã gelada d e de garoa fina. Nem passou pela sala dos professores, foi direto para a sala de aula:

-Bom dia, meus queridos. Desculpem o atraso.

-Bom dia, professora. –Responderam alguns alunos.

A professora Mônica pediu para que eles formassem um círculo com as carteiras, pois iria dar uma aula diferente naquele dia.

Os alunos gostavam de “aulas diferentes”.

Rapidamente sentaram-se em círculo e a professora também ocupou uma das carteiras do círculo:

-Gente, -começou ela – quero que cada um de vocês me conte alguma coisa boa que fizeram ontem para alguém.

Todos pararam pensativos, tentando lembrar do dia anterior.

Andressa, uma aluna muito esperta, começou:

-Professora, eu lavei toda a roupa pra minha mãe. Ela ficou muito contente comigo quando chegou do trabalho.

-Muito bem Andressa! Parabéns. –Disse a professora.

Ronaldo também falou:

-Professora, ontem eu dei a metade do meu chocolate para o Adriano na hora do recreio.

-Que legal, Ronaldo. –Sorriu a professora.

Jocélia falou:

-Eu fiz a mamadeira do meu irmãozinho porque minha mãe tava com ele no colo.

A professora ia elogiando a todos.

Romoaldo disse:

-Eu, ontem, achei um cachorrinho na rua e levei ele pra minha casa, agora ele é meu e eu vou cuidar dele.

Vanessa apartou:

-A professora disse para contarmos algo de bom que fizemos para alguém e não para um animal.

A professora acudiu Romoaldo:

-Não Vanessa, não diga isso, porque cachorro também tem vida e sentimentos, então podemos dizer que o Romoaldo fez uma coisa bacana.

Priscila perguntou:

-Professora, a senhora está tão pálida hoje! O que aconteceu?

-Eu estou pálida? Nem percebi! Mas vamos continuar. E você Priscila? O que fez de bom ontem?

-Bom... –Começou Priscila- Não sei se conta, mas eu ajudei a professora de matemática a levar suas coisas para o carro.

-Muito bem. É claro que conta.

Samuel disse:

-Eu não lembro nada de bom que eu fiz ontem para alguém!

-Você me deu uma bala, lembra? –Comentou a professora Mônica.- Fazer coisas boas não quer dizer coisas grandiosas. Nas pequenas coisas, nos sentimentos que temos de bom... Tudo isso conta. Tudo o que fazemos de bom, conta. Devemos todos os dias dizer um “obrigado” a alguém... Um “eu te amo” para alguém. Todos os dias são bons para refletirmos sobre quantas coisas boas fizemos ou podemos fazer para deixar alguém feliz”

-Ah! É mesmo, mas foi só isso.

-E já está muito bom. – Disse a professora.

A conversa continuava enquanto lá fora o vento soprava forte fazendo a garoa escorrer pela vidraça.

Todo mundo lembrou de alguma coisa boa que fez. Todos estavam gostando daquela “aula diferente”.

-E a senhora, professora? O que fez de bom para alguém ontem?

-Bom, eu estava morrendo de saudades dos meus pais e fui visitá-los depois da aula. Foi maravilhoso, dei muitos beijos e abraços nos meus dois “velhinhos” dizendo que os amo muito. Não sei... De repente me deu essa vontade de abraçar e beijar também minha filha, meu filho e meu marido e dizer que os amo demais. Aliás, devíamos fazer isso todos os dias: Dizer às pessoas que as amamos. Por exemplo: Eu amo todos vocês. Cada um de vocês é um pedacinho da minha história.

De repente alguém bateu na porta e entrou. Era a Diretora com ar de tristeza, quase chorando. Estranhou a sala em círculo.

-Com licença, pessoal, desculpem não ter vindo aqui antes, mas tenho uma péssima notícia para vocês.

Todos estavam curiosos e a Diretora prosseguiu:

-Recebemos uma notícia esta manhã de que a professora Mônica deslizou com seu carro pela pista molhada, saiu em ziguezague pela pista molhada e bateu com seu carro de frente com um caminhão que não conseguiu frear. Infelizmente a professora teve morte instantânea.

Todos, boquiabertos, olharam para o lugar onde a professora estivera conversando com eles todo aquele tempo e ela não estava mais ali, viram uma fugaz “fumacinha” branca se dissipando no ar.

O MEDO

Quase meia noite. Marcelo vinha da festa que teve na casa do amigo Marcão.

Ninguém na rua. Tudo estava calmo. A noite estava gelada e uma fraca neblina cobria um pouco a visão.

Vinha ele encolhido e com o capuz na cabeça para aquecer as orelhas, o nariz estava gelado e de vez em quando ele esfregava as mãos uma na outra e colocava perto da boca soltando um bafo quente para tentar aquecê-las.

Estava preocupado. Sabia que tinha que passar perto do cemitério e pelo seu cálculo mental estaria passando por lá meia noite em ponto. Diminuiu um pouco os passos para ver se a meia noite chegava antes disso.

“Meu Deus, a gente só pensa besteira quando estamos sozinhos à noite.”

Lembrou-se do filme “Jogos Mortais” que ele havia assistido ontem. Ficou com mais medo ainda e sentiu o couro da cabeça arrepiar. Lembrou-se também do filme “O Sexto Sentido” que assistira há algum tempo. No filme falava que quando soltamos fumacinha pela boca e pelo nariz e quando nos arrepiamos é porque os espíritos estão por perto. Sentiu calafrios. “Por que fiquei até tarde na casa do Marcão?” Arrependia-se agora.

Viu ao longe duas luzes luminosas que vinha se aproximando dele. Encostou-se mais para a calçada. Era um carro preto enorme com seus faróis ligados.

Sentiu-se mais aliviado por ver essa movimentação.

Quando o carro passou por ele devagarzinho ele deu uma olhada para dentro do carro que estava com o vidro aberto. O homem que ocupava o banco do passageiro olhou para ele, tinha os olhos vermelhos, quase acesos, deu um sorriso escabroso para Marcelo e foi aí sim que Marcelo tremeu, pois a boca do homem era enorme, pegava de uma orelha à outra e os dentes eram bem afiados. O carro passou e sem querer Marcelo mijou nas calças. Saiu correndo para chegar logo em casa. Tinha medo que aquele carro voltasse. Novamente viu dois faróis acesos vindo em sua direção e seu coração disparou quando percebeu que o carro era o mesmo. “Como pode ser, aquele carro não tinha voltado, tinha seguido em frente”. Parou assustado e novamente aquele homem de olhos vermelhos e enorme boca sorriu para ele.

Marcelo ficou paralisado pelo medo. “O que devo fazer? Se eu voltar para a festa vão ver que eu mijei nas calças e se seguir em frente vou passar pelo cemitério.”

Decidiu voltar para a casa do Marcão, deu meia volta e andou um pouco. Lembrou-se que a Shirlei (a menina de quem ele gostava) estava lá, não podia “pagar esse mico”. Resolveu voltar para casa. Novamente deu meia volta e continuou andando. A neblina judiava ainda mais de seus medos. Avistou as cruzes do cemitério em meio a neblina. O coração de Marcelo parecia que ia sair pela boca. Começou a rezar baixinho “Pai nosso que estais no céu...” e seguiu em frente.

Quando ia passar em frente ao portão do cemitério viu um monte de cachorros latindo, tinha bem uns quinze cachorros, de todos os tamanhos.

Percebeu no meio da cachorrada dois cachorros pretos maior que o tamanho normal para um cachorro. Sentiu muito medo, mas “cachorro é cachorro, não é assombração.

Quando se aproximou os cachorros se afastaram num circulo e os dois cachorros pretos levantaram-se sobre duas patas, se abraçaram e começaram a dançar como se tocasse uma valsa e olharam para Marcelo. Sorriu igual ao homem do carro e um dos cachorros falou com voz grossa: “Quer participar da festa?”

Marcelo saiu correndo o mais que pôde e ao longe, atrás de si, ouviu risadas escabrosas. Chegou em casa e esmurrou a porta:

-Mãe, mãe! Abre a porta!

A porta se abriu sozinha. Mas tão assustado estava que entrou correndo e bateu a porta trancando-a.

Foi até o quarto de seus pais, eles estavam dormindo. Correu para seu quarto e nem quis deitar-se em sua cama; foi direto para a cama do seu irmão acordando-o:

-Douglas, posso deitar aí com você? Estou com medo!

Douglas, meio sonolento, disse que sim, encostou-se mais para o canto e Marcelo deitou molhado de xixi e tudo.

No outro dia, quando contou a história para a sua família e seus amigos, ninguém acreditou. Deram muita risada da cara dele, mas nunca mais ele ficou até tarde da noite na rua e só andava em companhia de alguém.

“E você? Acreditou na história do Marcelo?”

Pelo sim, pelo não... É melhor acreditar! Dessas coisas não se pode duvidar.

HISTÓRIAS DA MEIA NOITE

Essa aconteceu lá pro interiorzão do Paraná.

Preto “veio” sentado num banco de madeira à beira de uma fogueira já quase só na brasa, arrumava a “paia” de seu cachimbo. A netaiada mais os poucos vizinhos também estavam sentados em derredor da fogueira. Um grande bule de café fumegava encostado no braseiro enquanto algumas batatas doces estavam mergulhadas na brasa para deleite de todos.

A lua estava cheia e as estrelas cintilavam num céu negro. De vez em quando ouvia-se o piar de uma coruja, o mugido de um boi, o coaxar de um sapo.

“- Vô, conta uma história de medo pra nóis”?

“-Ói minino, num é bão ficá contano causos de medo não... Numa noite dessa pode inté aparecê o cramunhão em pessoa.”

“-Vixe Maria, Nossa senhora!” – exclamou Dona Clementina.- “Entoce é mio dexá isso pra lá.”

“-Mais eu vô contá, mode us mininu qué orvi.”

“-Eba!” – Exclamaram as crianças.

Preto véio arregalou os “zóios” como se estivesse olhando pra lugar nenhum, fez um suspense baforando a fumaça de seu cachimbo e começou...

A história era mais ou menos assim...

Há muito... muito tempo atrás vivia por aquelas bandas uma família de quatro pessoas: o pai; finado Severino, a mãe; finada Zefinha, o filho; finado Moacir e a filha Juliana, mas esta eles não sabiam se era finada ou não porque nunca mais ninguém tinha ouvido falar dela, coitada.

“_Nossa, vô! O que aconteceu com a moça?”

Dizem que era uma formosura de moça e por causa disso vivia se gabando, dispensava todos os pretendentes e dizia que só se casaria com um moço rico, loiro, alto e de olhos azuis. Ela ficava sempre na janela esperando que o tal pretendente passasse por ali. Dia após dia dali ela não arredava pé. Os moços da cidade, coitados, morriam de amores por ela, mas ela nem ligava e dizia sempre a mesma coisa :”- Só caso se for um moço loiro, alto, rico e de olhos azuis”. Um dia, já de tardezinha, quase anoitecendo, ela viu aproximar-se a carruagem mais bela que ela já tinha visto, a carruagem parou de frente com o portão da casa dela e desceu um lindo moço loiro, alto. Rico e de olhos azuis. Ele se aproximou e pediu um copo d’água, ela prontamente o serviu. Ele disse que havia comprado um belo castelo perto dali e que estava indo para lá ver se tudo estava certo. Disse, porem, que ao vê-la, admirou-a por demais sua beleza e encanto e que gostaria de conhecê-la melhor. A moça ficou muito feliz e convidou-o a entrar na casa dela.

“-Pai, mãe, irmão, venham conhecer uma pessoa que acabou de chegar na vila.

Vieram todos e ficaram encantados com os bons modos do rapaz que dizia chamar-se Lúcio.

Logo o rapaz manifestou seu desejo de namorar com aquela moça. Todos ficaram felizes, pois o rapaz era exatamente como a moça sempre sonhara.

Todos os dias, naquele mesmo horário ao cair da noite, aquele belo rapaz ia visitar sua noiva.

Um dia ela pediu:

“-Gostaria tanto de conhecer seu castelo, Lúcio.”

“_Não querida, é surpresa pra depois do casamento, já mandei vir da Europa os melhores decoradores para deixar meu castelo do jeito que você quiser.”

No dia do casamento o noivo pediu que se celebrasse a cerimônia ao ar livre, pois queria (dizia ele) ter o céu por testemunha daquele amor.

O casamento foi o dia mais feliz da vida de Juliana. Ao término da festa cada qual voltou para sua casa e Juliana entrou na rica carruagem que a conduziria até seu castelo com seu mais belo, alto, de olhos azuis e rico noivo.

Seguia feliz e ao longe, em meio a neblina da noite, vislumbrou a silhueta de seu castelo. Chegaram e os grandes portões de grossa madeira se abriram, lacaios vieram recebê-los sobre aplausos.

Lúcio pegou-a no colo e subiu com ela as escadarias iluminados por lindos candelabros até o quarto. A cama era enorme, toda coberta de rendas. Lúcio a colocou na cama e a luz bruxuleante do candelabro tornava o ambiente propício para uma bela noite de amor.

De repente ela sentiu um forte cheiro de enxofre e pasmada viu seu noivo transformar-se no mais horripilante demônio , tinha chifres, era vermelho, possuía um enorme rabo com uma espécie de triângulo na ponta e patas de bode. A bela cama transformou-se num chiqueiro cheio de lodo. Desesperada ela levantou-se e saiu correndo. O demônio ainda puxou-a pelo vestido branco rasgando-o.

“-Volte aqui! Agora você me pertence, é minha mulher”. _ Dizia ele com voz escabrosa e grossa.

Juliana correu muito e por todos os lados via os lacaios com caras demoníacas rindo dela. A moça viu um cavalo, não teve dúvidas, montou e galopou velozmente até a casa de seus pais. Esbaforida contava com palavras atropeladas o que tinha acontecido, mas antes dela terminar de contar viram a carruagem de Lúcio parar em frente a casa de seus pais.

“-Desculpe Seu Severino (dizia ele com sarcasmo que só Juliana sentia) , mas vim buscar minha mulher, afinal eu me casei com ela. Uma mulher não pode abandonar o marido, não sei o que deu nela, de repente saiu correndo feito doida. Fiquei preocupado (sorria cinicamente). Ela é meio destrambelhada mesmo? Começou a dizer, sem mais nem menos, que eu era o Diabo, imagine! Vamos Juliana, agora você me pertence.”

“-Não pai! Não deixa ele me levar!”

“-Filha, ele tem razão, você agora é a esposa dele e vocês têm que viver juntos até o fim.”

“-Não pai!” -gritava ela enquanto era puxada por Lúcifer até a carruagem.

Os pais ficaram sem entender, mas nada podiam fazer, pois naquele tempo quando a moça casava devia obediência ao marido. A carruagem sumiu na escuridão da noite e até hoje nunca mais ninguém soube da pobre Juliana.

“-Cruzes! Que história mais feia!”

“-Mais é a mais pura verdade. Dizem qui diveiz em quando arguém inda vê uma noiva toda esfarrapada galopano por aí gritano estridentimente.”

Todos, em volta daquela fogueira fizeram o sinal da cruz e trataram de ir para casa rapidinho antes que aparecesse a tal noiva do Demo, e com o pensamento de nunca serem orgulhosos como Juliana.